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Dieta anti-tabágica: nova aliada contra o cigarro


A orientação e o acompanhamento nutricional também fazem parte do arsenal da Clínica Anti-fumo, no Rio de Janeiro, contra o tabagismo. Além de um pneumologista e de uma psicóloga que empreendem um tratamento baseado no quadro e no histórico de cada paciente, a clínica conta com uma nutricionista que põe em prática uma dieta anti-tabágica. “O objetivo é ajudar o paciente a controlar o desejo de fumar; a evitar o ganho de peso depois de conseguir se livrar do cigarro; e a adotar uma alimentação saudável que diminua a progressão de eventuais doenças pulmonares”, explica a nutricionista Maria Cristina Mellone Mauro.

Ela diz que muitas mulheres postergam um tratamento médico para deixar o cigarro com medo de engordar. “Algumas pessoas que param de fumar ganham peso porque recuperam o paladar e, por conseqüência, o apetite. Além disso, elas podem querer compensar a falta de cigarro com comida. Na síndrome de abstinência, o indivíduo sente falta dos gestos mecânicos de acender o cigarro e colocá-lo na boca”, diz. Segundo ela, estes movimentos repetitivos podem ser substituídos por balas e chicletes diet, e por uma alimentação mais fracionada, de três em três horas. Com o tempo, com a ajuda dos medicamentos receitados pelo médico e com as orientações psicológica e nutricional, o paciente vai ficando menos ansioso, menos compulsivo, com um ímpeto menor de “colocar algo na boca”.

Na Clínica Anti-fumo, Maria Cristina traça a evolução nutricional do paciente ao longo do tratamento, que, em média, dura três meses. De acordo com a especialista, o programa alimentar é montado com base em uma orientação nutricional individualizada de acordo com o sexo, peso, altura, exames laboratoriais, hábitos alimentares e histórico de doenças dos pacientes. Em geral, estimula-se a ingestão de líquidos (água e sucos); de alimentos ricos em vitaminas (principalmente a C) e minerais com o objetivo de aumentar a imunidade e diminuir o estresse; e de alimentos ricos em proteínas para a reconstrução dos tecidos danificados pelo fumo. Ela também aconselha usar óleo de soja ou de canola para o preparo das refeições, e de azeite extra virgem em saladas. No lado oposto, devem ser evitados álcool e cafeína. “Além de provocar insônia, o excesso de cafeína potencializa os sintomas de estresse e estimula o tabagismo”, diz.

No cardápio de quem deseja parar de fumar, também devem ficar de fora doces, chocolates, refrigerantes, frituras, fast foods, carnes gordas, gordura animal (colesterol), sal em excesso, alimentos enlatados e industrializados. Mas a nutricionista segue a filosofia da Clínica Anfi-fumo de que é “proibido proibir”. Da mesma forma que o pneumologista Antônio Chibante, Presidente da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Rio de Janeiro e a psicóloga Ana Lúcia Fraga não proíbem os pacientes de fumarem “um cigarrinho” quando têm vontade, ela também não os proíbe de comerem “uns docinhos” de vez em quando. “Ensinar porque uma coisa deve ser evitada é bem mais eficaz do que proibi-la. O objetivo do tratamento é fazer com que o paciente vá se desinteressando espontânea e naturalmente pelo cigarro até que, quando menos espera, ele já se desinteressou”. Para que isto aconteça, segundo ela, a orientação nutricional é essencial.

Alimentos que devem sair e entrar do cardápio dos fumantes:

Evitar / Retirar:

. Álcool
. Café (Preferir o descafeinado)
. Mate (Forte)
. Chocolate
. Refrigerantes
. Excesso de sal
. Carnes gordas, pele de frango, leite integral, manteiga e queijos gordurosos
. Frituras
. Alimentos enlatados, defumados e industrializados

Incluir:

. Frutas, Verduras e Legumes
. Fibras
. Gordura Vegetal (óleo de soja ou canola)
. Ingerir de 2 a 3 litros de água por dia
. Preferir alimentos lights (leite desnatado, queijos sem gordura, creme de leite e requeijão light)
. Proteínas de origem vegetal (feijões, soja, lentilha, ervilha, grão de bico)

Por Karoline Cabral e Leonardo Pessanha


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