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Ração Humana: a palavra do especialista sobre a nova “moda” da nutrição…


Preocupada com o “boom” de consumo da chamada “ração humana” – combinação de cereais e de outros ingredientes que variam conforme a “receita” -, a nutricionista funcional Noádia Lobão, de Niterói, Rio de Janeiro, listou uma série de alertas e pontos negativos que devem ser considerados pelas pessoas e, em especial, por quem pretende embarcar nesse novo modismo do universo das dietas:

1) O problema da substituição de refeições: “normalmente, quem usa a ração humana com o objetivo de emagrecer e não recorrer a um nutricionista tende a substituir as refeições pelo composto para acelerar a perda de peso. Isso resulta em uma dieta desbalanceada que pode ter graves consequências em médio e longo prazos. A chamada ração humana não pode substituir nenhuma refeição. O recomendado é que ela faça parte de uma refeição (nos lanches, por exemplo), sendo que o seu consumo não deve ultrapassar três colheres de sopa ao dia.”

2) Alergias alimentares: “há pessoas com sensibilidades alimentares aos componentes da ração humana e com dificuldade de digestão das substâncias que a compoem. Sabemos que os alérgenos alimentares mais comuns são aqueles com conteúdo alto de proteína, especialmente de origem vegetal. A alergia alimentar pode se dar com a ingestão de qualquer alimento incluído na ração, como milho, arroz, centeio, soja, trigo etc.”.

3) Comprometimento da absorção de minerais importantes: “excesso de fibras alimentares pode interferir na absorção de minerais como o cálcio e o ferro. Principalmente para os idosos, crianças e adolescentes, nos quais é maior a necessidade desses minerais para manutenção e desenvolvimento ósseo, além do controle de hemoglobina, o consumo exagerado de fibras é perigoso.”

4) Armazenamento e manipulação dos alimentos – “depois de triturados, alguns tipos de farinha, farelos, grãos, pós e sementes, como a linhaça, por exemplo, devem ser acondicionados adequadamente, sob refrigeração, devido ao teor de gorduras, compostos bioativos e outros nutrientes. Se forem armazenados de forma incorreta ou se passarem do prazo de armazenamento, as substâncias podem sofrer oxidação e deterioração, e causar danos ao organismo. Recomenda-se triturar, acondicionar (em um recipiente como um pote de vidro), tampar e armazenar em refrigeração por no máximo 15 dias. Na prática comercial, o que se observa é a venda do produto em sacos plásticos transparentes em lojas de produtos naturais ou supermercados, e até mesmo exposto ao ambiente em feiras.”

5) Contaminação – “quando vendidos a granel, em feiras e casas de produtos naturais, as farinhas, farelos, grãos, pós e sementes são muitas vezes manipulados sem que se observem normas básicas da higiene, como limpeza das mãos e dos utensílios. Tratados dessa forma, os alimentos podem apresentar uma série de microrganismos causadores de doenças. Aumenta muito o risco de contaminação cruzada, que acontece por meio da transferência de microrganismos entre os alimentos, uutensílios, equipamentos e o próprio manipulador.”

6) Exposição à luminosidade – “Ambiente com excesso de calor, local muito úmido e a utilização de embalagens como sacos plásticos transparentes, para o armazenamento de farinha, farelos, grãos, pó e sementes trituradas, podem fazer com que os alimentos sofram um processo de deterioração rápida, mesmo estando no prazo de validade. A gordura contida nessas farinhas, farelos, grãos, pós e sementes, por exemplo, pode ficar rançosa e, em vez de fazer bem à saúde, pode se tornar altamente tóxica e nociva à saúde.”

7) Perda das substâncias (compostos bioativos) – “devido à forma mais usual de manipulação, exposição e armazenamento da ração humana, os ingredientes perdem uma boa parte dos compostos bioativos, ou seja, substâncias antioxidantes importantes para a prevenção e o tratamento de doenças. Ocorre também uma grande perda na absorção de nutrientes como as vitaminas e os minerais.”

8) Gelatina e ganho muscular – “a gelatina é uma fonte de aminoácidos que estimula a formação de colágeno e auxilia na nutrição dos tecidos. A quantidade de gelatina na ração humana oferecida no mercado é muito pequena, insuficiente para que se obtenham resultados como o ganho muscular, fortalecimento das unhas e cabelo, prevenção de celulite, emagrecimento etc. Para se ter esses benefícios, além de ser necessária maior quantidade de gelatina na composição da ração humana, seu consumo tem de estar associado a uma alimentação equilibrada e a hábitos saudáveis.”


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