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Especialista esclarece mitos e verdades sobre o colesterol

Neste Dia do Cardiologista, o Dr. Cleber Mazzaro, cardiologista do Hospital Brasil, desmistifica algumas crenças sobre o assunto


Especialista esclarece mitos e verdades sobre o colesterol

A alimentação desequilibrada e o sedentarismo são algumas das causas que desencadeiam um dos grandes vilões da saúde: o colesterol ruim.

 

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Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) do ano passado, os níveis elevados do colesterol atingem aproximadamente 60 milhões de pessoas, cerca de quatro em cada dez brasileiros adultos. Entre eles, cerca de 11% nunca fez exame de colesterol e quase 70% só descobriu a condição após os 45 anos de idade.

O colesterol é um tipo de gordura fundamental para o funcionamento do organismo e o próprio corpo é responsável por fabricar boa parte desse componente, que está presente em órgãos como o coração, cérebro, intestino, músculos e pele. A outra parte é adquirida por meio dos alimentos ricos em gordura. No entanto, quando há uma má alimentação e ausência de atividades físicas, o colesterol considerado ruim (LDL), pode se tornar excessivo e desencadear alguns problemas de saúde, como quando as placas de gorduras obstruem artérias, podendo levar ao infarto, e outras doenças cardiovasculares.

Neste Dia do Cardiologista, o especialista Dr. Cleber Mazzaro, cardiologista do Centro Cardiológico do Hospital Brasil, esclarece alguns mitos e verdades sobre o assunto e dá dicas indispensáveis para evitar e, no caso dos pacientes, controlar a doença.

Os fatores de risco são apenas externos e ambientais?

MITO. Os fatores de riscos mais conhecidos são o tabagismo, falta de exercícios físicos, dieta rica em gorduras, idade avançada e diabetes. Até fatores psicológicos podem afetar, como estresses do dia a dia. Porém, segundo o cardiologista, a genética também pode contribuir. “Há pessoas que possuem uma alimentação balanceada, não ingerem tanta gordura e o colesterol é alto. Isso se dá por causa de uma condição chamada hipercolesterolemia familiar, quando o colesterol é hereditário”.

Há níveis de riscos do colesterol?

VERDADE. “Há o colesterol de risco baixo, médio e alto. Para definir cada um deles, é preciso avaliar o índice do colesterol que comemos e o que corpo fabrica, ou seja, o ruim e o bom, a idade, hipertensão, tabagismo e outros. É preciso estar atento a todos esses fatores e manter o equilíbrio, alinhando hábitos saudáveis com orientações de especialistas”, esclarece o cardiologista. Ainda segundo o médico, há um índice ideal para cada tipo:

Colesterol bom (HDL): sempre maior que 40 mg/dl
Colesterol ruim (LDL): depende do grau do risco do paciente.

Apenas a prática de exercícios ajuda?

MITO. Além das atividades físicas que devem fazer parte da rotina de todos, uma dieta balanceada deve ser um complemento importante na prática de hábitos saudáveis. Entretanto, para quem já possui o colesterol alto o uso de medicamentos é imprescindível para o controle da doença. “Além do uso das estatinas, medicamentos já conhecidos no combate ao colesterol, há um novo remédio já autorizado no mercado brasileiro que é a base de PCSK9. Indicadas para pacientes que possuem resistência às estatinas, essas novas drogas são injetáveis pelo menos duas vezes ao mês, possuindo uma eficiência tal qual as que já conhecemos”, conta Mazzaro.

Ovo é realmente um vilão?

MITO. “A gema é realmente rica em colesterol, mas não faz do ovo em si um grande causador do colesterol. Mesmo em dietas com baixo carboidratos, tem que haver um consumo moderado e complementar a alimentação com outros nutrientes. O segredo é consumir tudo moderadamente”, explica o médico.

Bebidas ajudam a moderar o colesterol?

VERDADE. Segundo o especialista, há estudos que apontam que alguns tipos de vinho são bons para o coração. Nessas pesquisas, o uso dessas bebidas com moderação provoca uma elevação do colesterol bom (HDL), ajudando na remoção de partículas gordurosas das artérias, diminuindo também o risco de infartos e AVC.

Por Cristiane Moraes e Victória Rodrigues


Veja o que Marcio Atalla responde:

Estou com o colesterol alto e pensei em fazer atividade física, mas ouvi um médico na TV dizer que a atividade física não diminui o colesterol, é verdade?
Cassiana Nogueira – Rio de janeiro – RJ
É verdade, não existe comprovação científica que a atividade física, diretamente, possa diminuir o colesterol total. O que se sabe é que a prática regular da atividade física aumenta o bom colesterol, o HDL, isso porque o LDL, o colesterol ruim, é o primeiro a ser requisitado quando o corpo precisa de energia. Assim, sobra mais HDL, o colesterol bom. O exercício mais indicado nesse caso são os exercícios aeróbios, que devem durar mais de 30 minutos. Porém, o que se observa com muita frequência nas pessoas que praticam atividade física, é que passam a se alimentar melhor e que isso reflete diretamente nos índices de colesterol ruim e colesterol total. Portanto a atividade física além de aumentar o colesterol bom, que é importante para evitar o acúmulo de placas nas artérias coronarianas, também promove uma consciência melhor na hora da alimentação, o que certamente contribui para o controle do colesterol ruim e total.

Exercícios aeróbicos ajudam a diminuir o índice de doenças cardiovasculares

Se você anda com excesso de colesterol LDL, o mesmo que pode se alojar nas artérias, provocar o entupimento das mesmas e as temidas doenças cardiovasculares, procure se exercitar mais. Aliada a alimentação, a atividade física ajuda a combater o colesterol ruim.

A atividade física regular promove uma melhora na circulação sanguínea, mecanismo que faz o sangue se distribuir pelo organismo, ajudando o coração, as artérias, as veias e capilares. Segundo dados do Ministério da Saúde, o sedentarismo aumenta em 54% o risco de morte por distúrbios cardiovasculares, 50% de mortes por derrame e 37% de casos de câncer. Caminhada, corrida e exercícios aeróbicos estimulam a limpeza do fluxo de sangue no organismo, diminuindo a incidência dessas doenças.

A prática de atividade física pode alterar a produção das enzimas que controlam os níveis de gordura do nosso sangue. Um exemplo é a LPL, enzima que destrói os triglicerídeos e aumenta os níveis de colesterol bom, o HDL. Ela foi encontrada em quantidades elevadas entre os praticantes dos exercícios aeróbicos. E a consequente perda de peso que ocorre com a prática dessas atividades também ajuda a aumentar a ação da LPL.

 

Controle o colesterol com lecitina de soja

Entre os muitos nutrientes que existem na soja e são benéficos para a saúde, a lecitina, composta orgânico formado por um ou mais ácidos graxos, cálcio, vitamina E, entre outros. A lecitina também é encontrada na gema de ovo, no gérmen de trigo e na semente de girassol. Pode ainda ser produzida de forma industrial através de técnicas bioquímicas.

Na indústria alimentícia, é usada na fabricação de biscoitos, chocolates, leite em pó, margarinas, sorvetes, massas e pães. Até mesmo na indústria cosmética é usada na fabricação de cremes e pomadas. Como suplemento alimentar, os benefícios da lecitina de soja em forma de cápsulas melhoram as funções cerebrais, como a atenção e a capacidade de memória em idosos portadores de doença degenerativa no cérebro.

Também aliviam a sensação de estresse, ajudando a equilibrar os níveis de cortisol, que é o hormônio responsável pela adaptação do organismo em situações desfavoráveis. Diversos estudos apontaram que a lecitina de soja auxilia no controle dos níveis sanguíneos do colesterol (HDL), diminuindo o risco de doenças cardíacas, se for consumida diariamente uma quantidade mínima de 25 gramas. Ela também ajuda na diminuição da formação de placas de gordura nas artérias, melhorando a circulação e diminuindo o risco de ataque cardíaco.

Quem deseja usar a lecitina como forma de suplemento alimentar, não deve ultrapassar a quantidade diária de 2 gramas. O consumo excessivo pode levar à efeitos colaterais como náuseas, enjôos, gases e sensação de estufamento abdominal.

 

Por que, mesmo sendo saudável, meu colesterol é alto?

A resposta para essa pergunta é simples: porque existe uma patologia chamada hipercolesterolemia familiar, que é uma doença hereditária e sem cura e que, por conta da inabilidade do fígado em retirar o colesterol ruim do sangue, promove altas taxas desse indicador, mesmo em se tratando de pessoas fisicamente ativas e que tem hábitos alimentares saudáveis.

Mas, se engana quem pensa que em tendo essa condição genética, não é necessário cuidar das taxas de colesterol. A situação fica bem pior para quem não o faz, e mesmo não tendo nenhum histórico familiar.

Do contrário. Ao se cuidar, com práticas regulares de atividade física e com uma alimentação rica em fibras e pobre em gorduras saturadas, a pessoa que tem o colesterol ruim geneticamente aumentado, consegue elevar o nível do colesterol bom, que é exatamente o que é preciso para diminuir a ação do colesterol ruim, mesmo em altos níveis. O que acontece é que o LDL (colesterol ruim) e o HDL (colesterol bom) são como dois irmãos bem diferentes. Enquanto um “suja” a corrente sanguínea, o outro limpa.

O LDL carrega as partículas de colesterol do fígado e de outros locais para as artérias. Se houver excesso dessas partículas na circulação, o colesterol pode se depositar nas paredes das artérias, que são os vasos que levam sangue para os órgãos e tecidos, provocando a arteriosclerose. Se o depósito ocorrer nas artérias coronárias, pode provocar angina (dor no peito) e infarto do miocárdio. Se for nas artérias cerebrais, pode provocar o AVC (ou derrame). Aí, vai o HDL, fazer a faxina e levar as partículas todas de volta pro fígado, onde será excretado, e impedir todas essas perigosas consequências.

Ainda assim, o colesterol é fundamental para o funcionamento do organismo, sendo o componente estrutural das membranas celulares de nosso corpo. Ele está presente no cérebro, nervos, músculos, pele, fígado, intestinos e coração.

Cerca de 70% do colesterol é produzido pelo nosso organismo, pelo fígado e apenas 30% vem da alimentação. As taxas de colesterol apontadas em exames se referem à soma do HDL e LDL. Essa taxa é considerada boa quando está abaixo de 200 mg/dl, merece atenção quando está entre 201 e 239 e alta quando está acima de 240 mg/dl. Separadamente, o LDL separadamente, deve se manter abaixo de 130 mg/dl, o risco aumenta quando ele é mais baixo que 100 mg/dl, aumenta ainda mais quando é menor que 70 mg/dl e torna-se de altíssimo risco com é abaixo de 50 mg/dl. Já o HDL se estiver acima de 40 mg/dl, está tudo OK! Quanto maior esse valor, melhor! Melhor faxineiro ele é!

Em termos bem práticos, tem uma listinhas de alimentos que ajudam na redução do colesterol: frutas vermelhas, uva e abacate, frutas oleaginosas (castanhas e seus parentes), azeite de oliva extra virgem e óleos vegetais, peixes ricos em Ômega 3, soja e cerais integrais.

Quanto à atividade física, está comprovado que ela não tem o poder de reduzir o LDL, mas é muito eficiente em aumentar e melhorar a performance do HDL.

Como tudo na vida, o equilíbrio leva ao sucesso, até mesmo entre os dois colesteróis…




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